Porque elas merecem ser felizes, não só este dia como todos os outros dias do ano; porque merecem ter uma família que as ame e não as maltrate; porque merecem ter uma casa onde se sintam bem; porque merecem ir à escola e serem tratadas como crianças, e não como objetos ou escravas!
Num mundo que cada vez está mais "podre", onde os mal tratos a crianças são notícias constantes nos noticiários, vindos da maior parte das vezes, da parte das famílias, daquelas que deveriam ser o seu porto seguro, que deveriam dar-lhes amor e motivos para sorrir...mas elas infelizmente não podem escolher as suas famílias!
Assim, neste dia, presto homenagem a todas as crianças, que vivem em lares felizes, mas principalmente às que estão em risco. Porque vocês são o o futuro de amanhã, um bem haja a todas as crianças do mundo!
Educação precisa-se e com urgência! Porque vivemos atualmente numa sociedade onde as crianças não possuem regras, e em que os pais não são capazes de lhes dar a socialização primária! Qual o futuro da educação?
domingo, 31 de maio de 2015
Dia Mundial da Criança...
O Dia Mundial da Criança está a chegar... Já têm tudo preparado para um dia de diversão e alegria com as vossas crianças?
"Diário de uma criança à beira do nervoso miudinho!"
Tive conhecimento deste belo artigo do Eduardo Sá, há uns anos atrás, numa das revistas dos Educadores de Infância (que eu comprava religiosamente todos os meses). Foi dos primeiros artigos, deste senhor,
que tomei contato,e a partir daí fiquei "fã" dele!
Mais um artigo que vale a pena ler, pois é um artigo, onde se tenta entender o ponto de vista não dos adultos, mas sim das crianças!
que tomei contato,e a partir daí fiquei "fã" dele!
Mais um artigo que vale a pena ler, pois é um artigo, onde se tenta entender o ponto de vista não dos adultos, mas sim das crianças!
"Os pais não servem como despertador. Adormecem de manhã, como todos nós, mas, ao mesmo tempo que levantam a persiana e nos chamam «Meu querido» e coisas assim, querem que, entre a cara lavada e os cereais despachados, façamos dos 0 aos 100 em poucos... minutos.
Entretanto, como convém às pessoas ponderadas, e paramos de nos vestir para pensarmos na vida, eles sofrem de hiperatividade e, em jeito de ameaça, gritam qualquer coisa do género: «Eu juro que me vou embora, e deixo-te aqui!» (que era tudo o que eu mais queria!).
Entretanto, como convém às pessoas ponderadas, e paramos de nos vestir para pensarmos na vida, eles sofrem de hiperatividade e, em jeito de ameaça, gritam qualquer coisa do género: «Eu juro que me vou embora, e deixo-te aqui!» (que era tudo o que eu mais queria!).
Os pais servem, também, para nos tirar a boa-disposição, antes do trabalho. Enquanto só não chamam «boas pessoas» a todos os senhores automobilistas que, segundo eles, estavam bem era dormir, ouvem (de meia em meia hora!) as mesmas notícias, atendem o telefone, olham 30 vezes para o relógio, melindram-se com a nossa cara de segunda-feira e, sempre que dizem, com voz de pateta: «Quem é o meu tesouro, quem é?», quem faz as contra-ordenações perigosas somos nós!
Os pais servem para imaginar que todas as crianças, ao chegarem à escola, são campeãs de felicidade.
E que nunca nos apetece mandar a nossa professora para a... biblioteca, de castigo, enquanto ela pensa se não será feio mentir (sempre que grita connosco, quando garante, aos nossos pais, que é só doçuras e meiguices...).
Os pais servem, também, para nos ir buscar à escola. E nisso escapam! Mas, independentemente de nos apetecer limpar o pó ao mundo, perguntam (todos os dias!): «Correu bem a escola? e O que foi o almoço?», com tantos pormenores, e no meio de tanta inquietação, que nos provocam brancas e nos levam ao stresse.
Os pais servem para nos deixar nos tempos livres. E, quando pensávamos que podíamos brincar à vontade, (ou não são os tempos... livres?) descobrimos que eles só podem ter sido levados ao engano porque, afinal, nos obrigam a estar, mais uma vez, quietos e calados. E, pior, quando estamos prontos a pedir o livro de reclamações, ora nos castigam com trabalhos de casa ora nos põem, sentadinhos, a ver os mesmos desenhos animados tantas vezes, que nós achamos que isso deve servir para aprendermos a contar até...
100.
Mas os pais servem, também, para trabalhar para a nossa formação desportiva e para o lazer. Quando chegamos à natação, gritam quando não nos queremos despir ali, à frente de toda a gente. Acham que não podemos brincar nem nos balneários nem na piscina. E gritam, outra vez, quando insistimos que os avós e os acompanhantes das outras crianças não deviam saber em que preparos viemos ao mundo.
Os pais servem, também, para zurzir no nosso lado bem-disposto, quando (de regresso ao carro) nos mandam cumprimentar a prima Maria da Glória que, em vez de nos dizer «Olá», delicadamente e com maneiras, nos esborracha contra ela e nos lambuza e, enquanto nos despenteia, duma ponta à outra, nos ofende, de cada vez que diz: «Ai, meu filho, o teu rapaz está tão crescido!....» (Meu filho?... Mas o pai bateu com a cabeça? Então, maltratam-lhe o filho, em vez de lhe darem um beijo transformam-no em algodão doce, e ele, ainda por cima, sorri e agradece?...)
Quando, finalmente, entramos em casa e estamos prontos para descansar, os pais servem para nos dizer, contra todas as nossas expectativas: «Primeiro, fazes os trabalhos de casa. Só depois brincas».
E servem para azedar a nossa boa disposição quando, logo a seguir, tratam, como se fosse contrafação, os pacotes de leite, as embalagens de bolachas e as caixinhas com os presentes da Happy Meal que, carinhosamente, tínhamos a dormir ao pé de nós.
Os pais servem para escandalizar, todos os dias, a nossa paciência, ao jantar. Começam por nunca respeitar o nosso: «Já vou!». Vendem-se à publicidade enganosa de cada vez que acham que a sopa de cenoura «faz os olhos bonitos». Servem-nos ervilhas e, carinhosamente (como quem não está muito seguro do produto
que promove), chamam-lhe «bolinhas».
E nunca se cansam de nos dizer que a fruta faz bem!
E, quando o dia não pára de nos surpreender, os pais servem para dizer, todos os dias: «A partir de hoje... tu vais ver!».
E, sempre que estão chateados com o trabalho, para reclamar. Assim: «Ah queres fazer uma birra? Pois vamos ver quem faz a birra maior!...»
E, quando querem quebrar a monotonia dos nossos dias, os pais, servem para pronunciar com alma cada palavra, quando nos estragam com meiguices: «Qualquer dia... eu emigro! Para muito longe! E quero ver como é que vocês se safam!».
Com dias assim, em que o pai e a mãe fazem de Capitão Gancho, quem não se rende à canseira e adormece antes do fim de cada história? E quem é que não cede ao nervoso miudinho e não acorda, a meio da noite, com os nervos em franja? E quem é que não ficaria desolado, no meio de toda a energia renovável que eles têm, quando perguntam com quem estávamos a sonhar (e nós, não podendo dizer que era com eles), respondemos que temos medo é... do Papão!
Nós gostamos dos pais. Desconfiamos que eles imaginam que passam pouco tempo connosco mas, se for para isto, não temos coragem para os contrariar. Afinal, nós sabemos que todas as pessoas de coração grande têm a cabeça quente.
E nunca pomos em dúvida que só o amor importa. Só não entendemos porque é que os pais tenham de ser esta canseira!
E achamos que, desta maneira, eles nos fazem nervoso miudinho".
Os pais servem para imaginar que todas as crianças, ao chegarem à escola, são campeãs de felicidade.
E que nunca nos apetece mandar a nossa professora para a... biblioteca, de castigo, enquanto ela pensa se não será feio mentir (sempre que grita connosco, quando garante, aos nossos pais, que é só doçuras e meiguices...).
Os pais servem, também, para nos ir buscar à escola. E nisso escapam! Mas, independentemente de nos apetecer limpar o pó ao mundo, perguntam (todos os dias!): «Correu bem a escola? e O que foi o almoço?», com tantos pormenores, e no meio de tanta inquietação, que nos provocam brancas e nos levam ao stresse.
Os pais servem para nos deixar nos tempos livres. E, quando pensávamos que podíamos brincar à vontade, (ou não são os tempos... livres?) descobrimos que eles só podem ter sido levados ao engano porque, afinal, nos obrigam a estar, mais uma vez, quietos e calados. E, pior, quando estamos prontos a pedir o livro de reclamações, ora nos castigam com trabalhos de casa ora nos põem, sentadinhos, a ver os mesmos desenhos animados tantas vezes, que nós achamos que isso deve servir para aprendermos a contar até...
100.
Mas os pais servem, também, para trabalhar para a nossa formação desportiva e para o lazer. Quando chegamos à natação, gritam quando não nos queremos despir ali, à frente de toda a gente. Acham que não podemos brincar nem nos balneários nem na piscina. E gritam, outra vez, quando insistimos que os avós e os acompanhantes das outras crianças não deviam saber em que preparos viemos ao mundo.
Os pais servem, também, para zurzir no nosso lado bem-disposto, quando (de regresso ao carro) nos mandam cumprimentar a prima Maria da Glória que, em vez de nos dizer «Olá», delicadamente e com maneiras, nos esborracha contra ela e nos lambuza e, enquanto nos despenteia, duma ponta à outra, nos ofende, de cada vez que diz: «Ai, meu filho, o teu rapaz está tão crescido!....» (Meu filho?... Mas o pai bateu com a cabeça? Então, maltratam-lhe o filho, em vez de lhe darem um beijo transformam-no em algodão doce, e ele, ainda por cima, sorri e agradece?...)
Quando, finalmente, entramos em casa e estamos prontos para descansar, os pais servem para nos dizer, contra todas as nossas expectativas: «Primeiro, fazes os trabalhos de casa. Só depois brincas».
E servem para azedar a nossa boa disposição quando, logo a seguir, tratam, como se fosse contrafação, os pacotes de leite, as embalagens de bolachas e as caixinhas com os presentes da Happy Meal que, carinhosamente, tínhamos a dormir ao pé de nós.
Os pais servem para escandalizar, todos os dias, a nossa paciência, ao jantar. Começam por nunca respeitar o nosso: «Já vou!». Vendem-se à publicidade enganosa de cada vez que acham que a sopa de cenoura «faz os olhos bonitos». Servem-nos ervilhas e, carinhosamente (como quem não está muito seguro do produto
que promove), chamam-lhe «bolinhas».
E nunca se cansam de nos dizer que a fruta faz bem!
E, quando o dia não pára de nos surpreender, os pais servem para dizer, todos os dias: «A partir de hoje... tu vais ver!».
E, sempre que estão chateados com o trabalho, para reclamar. Assim: «Ah queres fazer uma birra? Pois vamos ver quem faz a birra maior!...»
E, quando querem quebrar a monotonia dos nossos dias, os pais, servem para pronunciar com alma cada palavra, quando nos estragam com meiguices: «Qualquer dia... eu emigro! Para muito longe! E quero ver como é que vocês se safam!».
Com dias assim, em que o pai e a mãe fazem de Capitão Gancho, quem não se rende à canseira e adormece antes do fim de cada história? E quem é que não cede ao nervoso miudinho e não acorda, a meio da noite, com os nervos em franja? E quem é que não ficaria desolado, no meio de toda a energia renovável que eles têm, quando perguntam com quem estávamos a sonhar (e nós, não podendo dizer que era com eles), respondemos que temos medo é... do Papão!
Nós gostamos dos pais. Desconfiamos que eles imaginam que passam pouco tempo connosco mas, se for para isto, não temos coragem para os contrariar. Afinal, nós sabemos que todas as pessoas de coração grande têm a cabeça quente.
E nunca pomos em dúvida que só o amor importa. Só não entendemos porque é que os pais tenham de ser esta canseira!
E achamos que, desta maneira, eles nos fazem nervoso miudinho".
sábado, 30 de maio de 2015
"É preciso ser um bocadinho estranho para se ser professor!"
E palavras para quê? Este Senhor põe tudo claro, como a água! Numa síntese, ser Professor/Educador é exatamente isto!
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Semana Mundial do Brincar!
Porque "brincar é tão importante como respirar"... pais e profissionais de educação - vamos deixar as nossas crianças brincarem!
"Estamos a educar adultos responsáveis ou zombies digitais?"
Sobre a temática das novas tecnologias, incluindo o tablet, que já falei num dos primeiros posts (e que quem quiser pode reler aqui http://educacaoprecisa-se13.blogspot.pt/2015/03/ora-comecemos-por-falar-sobre-um-objeto.html ) apresento um outro artigo cujo titulo é bastante sugestivo _ "Estamos a educar adultos responsáveis ou zombies digitais?", em que nos fala não só dos meninos agarrados ao tablet, para não chatearem os papás, mas também dos papás a darem o mau exemplo aos filhos, estando à mesa e cada um agarrado ao seu telemóvel, não existindo diálogo entre todos.
Este cenário casa vez é mais frequente. Basta observarmos um pouco à nossa volta e num café ou restaurante vemos famílias inteiras sentadas à mesa, sem conversarem umas com as outras.
Considero que as novas tecnologias são importantes e é bom estarmos "atualizados informaticamente" mas fazer disso um vicio e trocar momentos em família por um tablet, telemóvel ou PC já acho demais, bem demais!!
Aqui fica o artigo:
"À mesa de um restaurante uma família. O pai tem os olhos postos na televisão, onde passa o resumo do futebol. A mãe está ao telemóvel a ver o Facebook. E as crianças no tablet, para estarem quietas. A imagem, que pode ser vista em qualquer ponto do país, foi usada por Eduardo Sá, psicólogo, para criticar o uso das tecnologias como “artefactos que se põem nas mãos das crianças para as sossegar”.
Autor de vários livros sobre psicologia infantil, Eduardo Sá foi um dos oradores do Congresso de Educação 2014. Sob o tema “Que crianças estamos hoje a educar: adultos responsáveis ou zombies digitais?”, a Porto Editora reuniu especialistas nas áreas da pediatria, psicologia e pedagogia num debate dirigido a educadores e professores, realizado este sábado [23 de maio] no Porto.
“Dispensar a companhia do José Rodrigues dos Santos à mesa” pode ser o primeiro passo para um retorno à conversa durante os jantares em família, salienta Eduardo Sá, lembrando que “as pessoas vão continuar a ser mais importantes que as tecnologias”. E chamando a atenção para a necessidade de dar a conhecer às crianças outras realidades que não passam pelos ecrãs.
Hugo Rodrigues, pediatra, partilhou com a assistência situações reais passadas nas suas consultas sobre crianças e jovens com problemas comportamentais causados por dependência da Internet. A necessidade crescente de “doses mais elevadas de Internet”, sentir ansiedade quando não se está online, pensar em estar desconetado por determinado período de tempo e não conseguir. São sintomas de uma importância exagerada da Internet na vida da criança ou jovem aos quais é preciso prestar atenção, estar alerta.
Em Portugal, a dependência da Internet está num patamar onde ainda é possível atuar de forma preventiva, tranquiliza o pediatra. Países como o Japão têm problemas sérios a este nível. E, nos EUA, o fenómeno foi incluído no rol de doenças do foro psicológico que constam do Manual para Diagnosticar Doenças Mentais, que serve de guia para todos os médicos do mundo.
Em relação aos jogos online, Hugo Rodrigues deu exemplos sobre o tipo de relação que os jovens estabelecem entre eles, neste contexto virtual. “Como os jogos acontecem em tempo real, se o jogador não for naquela hora pôr os seus exércitos a treinar, está a desiludir os seus amigos que podem ser atacados e não se conseguir defender.” Por outro lado, alertou o pediatra, as redes sociais dão aos jovens a “falsa segurança” da amizade. “Já é meu amigo no Facebook há dois anos, por isso, conheço-o muito bem.”
Ansiedade, depressão, sono, hiperatividade, défice de atenção e isolamento, são outras das consequências de quem passa horas consecutivas e até madrugadas sem dormir em frente aos ecrãs. A par, contam-se algumas doenças físicas, como a obesidade, epilepsia ou as tendinites no polegar que no Japão já merecem tratamento em clínicas da especialidade. Mas antes que os adultos comecem a tirar os portáteis, os tablets e os smartphones aos mais pequenos, Hugo Rodrigues recomenda uma espécie de “mea culpa”: “Todos usamos telemóveis, sentimo-nos despidos sem eles, mas achamos mal que os adolescentes estejam sempre conetados.”
Magda Dias, especialista na área da parentalidade concorda que os pais são responsáveis pelo uso que as crianças e os jovens fazem da tecnologia. “Passamos os tablets para as suas mãos, para estarem sossegados, mas depois fazemos da Internet o bicho-papão.” Antes de mais, recomenda a autora do blog “Mum’s the boss”, cabe aos adultos dar o exemplo.
Como? É preciso começar por não ver o email do trabalho durante as férias. E acabar com as entidades empregadoras a permitir às mães e aos pais uma “redução de horário e de salário dignos para que eles possam ir buscar as crianças” às creches e escolas. “As empresas têm de reduzir horários às mães, não é pô-las a não comer à hora do almoço para saírem mais cedo.”
Renato Paiva, pedagogo, pegou no tema do congresso para frisar que não são apenas as crianças que são zombies digitais. Entre os adultos paira a ideia de que “se existe está no Google, se aconteceu está no Youtube”. Renato Paiva acredita ainda que os alunos prestam menos atenção ao que é dito na sala quando sabem que “a professora põe o PowerPoint no moodle”. Mesmo assim, “a questão não é apenas a tecnologia, mas o uso que fazemos dela”, conclui."
Artigo retirado daqui: http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=37722&langid=1
Este cenário casa vez é mais frequente. Basta observarmos um pouco à nossa volta e num café ou restaurante vemos famílias inteiras sentadas à mesa, sem conversarem umas com as outras.
Considero que as novas tecnologias são importantes e é bom estarmos "atualizados informaticamente" mas fazer disso um vicio e trocar momentos em família por um tablet, telemóvel ou PC já acho demais, bem demais!!
Aqui fica o artigo:
"À mesa de um restaurante uma família. O pai tem os olhos postos na televisão, onde passa o resumo do futebol. A mãe está ao telemóvel a ver o Facebook. E as crianças no tablet, para estarem quietas. A imagem, que pode ser vista em qualquer ponto do país, foi usada por Eduardo Sá, psicólogo, para criticar o uso das tecnologias como “artefactos que se põem nas mãos das crianças para as sossegar”.
Autor de vários livros sobre psicologia infantil, Eduardo Sá foi um dos oradores do Congresso de Educação 2014. Sob o tema “Que crianças estamos hoje a educar: adultos responsáveis ou zombies digitais?”, a Porto Editora reuniu especialistas nas áreas da pediatria, psicologia e pedagogia num debate dirigido a educadores e professores, realizado este sábado [23 de maio] no Porto.
“Dispensar a companhia do José Rodrigues dos Santos à mesa” pode ser o primeiro passo para um retorno à conversa durante os jantares em família, salienta Eduardo Sá, lembrando que “as pessoas vão continuar a ser mais importantes que as tecnologias”. E chamando a atenção para a necessidade de dar a conhecer às crianças outras realidades que não passam pelos ecrãs.
Hugo Rodrigues, pediatra, partilhou com a assistência situações reais passadas nas suas consultas sobre crianças e jovens com problemas comportamentais causados por dependência da Internet. A necessidade crescente de “doses mais elevadas de Internet”, sentir ansiedade quando não se está online, pensar em estar desconetado por determinado período de tempo e não conseguir. São sintomas de uma importância exagerada da Internet na vida da criança ou jovem aos quais é preciso prestar atenção, estar alerta.
Em Portugal, a dependência da Internet está num patamar onde ainda é possível atuar de forma preventiva, tranquiliza o pediatra. Países como o Japão têm problemas sérios a este nível. E, nos EUA, o fenómeno foi incluído no rol de doenças do foro psicológico que constam do Manual para Diagnosticar Doenças Mentais, que serve de guia para todos os médicos do mundo.
Em relação aos jogos online, Hugo Rodrigues deu exemplos sobre o tipo de relação que os jovens estabelecem entre eles, neste contexto virtual. “Como os jogos acontecem em tempo real, se o jogador não for naquela hora pôr os seus exércitos a treinar, está a desiludir os seus amigos que podem ser atacados e não se conseguir defender.” Por outro lado, alertou o pediatra, as redes sociais dão aos jovens a “falsa segurança” da amizade. “Já é meu amigo no Facebook há dois anos, por isso, conheço-o muito bem.”
Ansiedade, depressão, sono, hiperatividade, défice de atenção e isolamento, são outras das consequências de quem passa horas consecutivas e até madrugadas sem dormir em frente aos ecrãs. A par, contam-se algumas doenças físicas, como a obesidade, epilepsia ou as tendinites no polegar que no Japão já merecem tratamento em clínicas da especialidade. Mas antes que os adultos comecem a tirar os portáteis, os tablets e os smartphones aos mais pequenos, Hugo Rodrigues recomenda uma espécie de “mea culpa”: “Todos usamos telemóveis, sentimo-nos despidos sem eles, mas achamos mal que os adolescentes estejam sempre conetados.”
Magda Dias, especialista na área da parentalidade concorda que os pais são responsáveis pelo uso que as crianças e os jovens fazem da tecnologia. “Passamos os tablets para as suas mãos, para estarem sossegados, mas depois fazemos da Internet o bicho-papão.” Antes de mais, recomenda a autora do blog “Mum’s the boss”, cabe aos adultos dar o exemplo.
Como? É preciso começar por não ver o email do trabalho durante as férias. E acabar com as entidades empregadoras a permitir às mães e aos pais uma “redução de horário e de salário dignos para que eles possam ir buscar as crianças” às creches e escolas. “As empresas têm de reduzir horários às mães, não é pô-las a não comer à hora do almoço para saírem mais cedo.”
Renato Paiva, pedagogo, pegou no tema do congresso para frisar que não são apenas as crianças que são zombies digitais. Entre os adultos paira a ideia de que “se existe está no Google, se aconteceu está no Youtube”. Renato Paiva acredita ainda que os alunos prestam menos atenção ao que é dito na sala quando sabem que “a professora põe o PowerPoint no moodle”. Mesmo assim, “a questão não é apenas a tecnologia, mas o uso que fazemos dela”, conclui."
Artigo retirado daqui: http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=37722&langid=1
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Ainda sobre a importância de brincar...
E porque uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui fica uma imagem elucidativa, para todos refletirmos, sobre a importância de brincar, temática que foi aqui abordada recentemente!
Lanço então a questão: O que será mais importante, saber brincar ou saber duas línguas estrangeiras, tocar dois instrumentos musicais e estar integrado em mais umas atividades extra curriculares?
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