sábado, 23 de maio de 2015

Para refletirmos todos um bocadinho...



...porque hoje em dia um pai já não tem autoridade para dar uma palmada, em público, ao seu filho, senão tem logo a CPCJ à perna, eu mais uma vez questiono-me: QUAL O FUTURO DA EDUCAÇÃO?
Uns casos é porque os pais não conseguem incutir regras nos filhos, noutros é porque quando lhes tentam incutir, são chamados à atenção! É preciso alertar que, com estes dois atos distintos, estamos a criar gerações de pequenos delinquentes!

"Antes de ler e escrever há muito para fazer!"

Quantos Educadores já não tiveram no Pré-Escolar, mais propriamente em salas de 5 anos pais a exigir que os seus filhos aprendam a ler e escrever para irem "melhor preparados" para o 1º Ciclo? Eu já tive! E tive que lhes explicar que não ia ensinar os filhos a lerem. Ensinar-lhes a escrever o nome, pequenas palavras e a data, assim a título de curiosidade sim. Mas grandes frases e ensinar a ler isso para mim está fora de questão; pois há um tempo para tudo, e no Pré-Escolar ainda é cedo para isso! As crianças necessitam de brincar e é através da brincadeira e do jogo simbólico que adquirem as principais aprendizagens e competências para a vida futura. "Brincar é tão importante como respirar!"
Relativamente a esta temática, deixo-vos um artigo bastante interessante! É um pouco extenso, mas sublinhei as partes mais importantes, que importam reter!

"Há muito para fazer e descobrir antes de ler, escrever e somar, considera Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica especializada na área infantil e juvenil e de aconselhamento parental. Antes de entrar no 1.º ciclo, há competências a desenvolver e a estimular nas crianças. “Nos jardins de infância seguem-se diretrizes e planos normativos, mas há muito espaço para abordagens e perspetivas diferentes. Em casa, há pais que estimulam desde cedo umas competências em detrimento de outras”. Há muito para descobrir desde a nascença até à matrícula no 1.º ciclo. “Dar os primeiros passos no desafio de descobrir quem é, no aprender a ser pessoa, a distinguir-se dos outros, a criar uma individualidade, a sentir-se gostada e a saber gostar”, especifica.
(...)Rita Castanheira Alves considera que (...) Esta fase é essencial para os pais e educadores ‘trabalharem’, de forma natural, no dia a dia, em brincadeiras e nas rotinas com a criança, a tolerância à frustração, a auto estima, a autoconfiança, a persistência, a solidariedade, a partilha, os limites e o saber errar e sem nunca esquecer, a literacia emocional, dando-lhes a possibilidade de conseguirem identificar em si, nos outros, expressar e regular as emoções, competência transversal para todas as aprendizagens que se seguem, seja na educação formal ou na vida além escola.
Antes de se sentar na cadeira da escola, a criança dá os primeiros passos na autonomia e independência para que, desde cedo e de forma natural, se sinta segura, capaz de gerir os desafios que surgirão a qualquer momento. Na escola também. “Uma criança feliz, tranquila, competente pessoal, social e emocionalmente terá maior probabilidade de ter sucesso académico e estar preparada para os desafios mais formais da educação, porque serão também crianças mais motivadas intrinsecamente.
Nesta fase, é importante (...) ajudá-la a saber errar, porque na escola irá errar para aprender. Como tal, saber acima de tudo errar, confrontar-se com o erro e com a nova tentativa e saber que isso faz parte da aprendizagem de todos nós, até dos pais.
Nos primeiros anos de vida (...) É tempo de contatar com outras crianças, jovens, adultos, desenvolver a socialização, saber estar e partilhar, ouvir e conversar. É tempo de brincar com meninos e com meninas, com bonecas, carrinhos, animais ou puzzles. “Nesta fase, a brincadeira com a criança é o maior motor de desenvolvimento de todas estas capacidades essenciais para o que se segue.” A brincadeira é um meio para tornar as aprendizagens naturais, descontraídas, fáceis, e eficazes, e ainda criar vínculos afetivos com a criança. 
A criatividade e a imaginação também têm um papel importante (...) “A criatividade é fundamental para a preparação da criança para a fase das aprendizagens escolares.
(...) Saber escrever o nome, decorar letras, contar até 20 sem enganos poderá vir noutro tempo, quando o 1.º ciclo chegar. Rita Castanheira Alves considera que há muito para fazer antes disso. “Ou se calhar, com o foco e investimento nestas competências pessoais, sociais e emocionais, gradualmente e antes do 1.º ciclo, a vontade da criança em saber o seu nome, em aprender a contar e a mostrar sinais de que está preparada para a aprendizagem escolar aparecerá espontaneamente”.
Até aos 6 anos (...) Desenvolvimento e aprendizagem andam de mãos dadas. As relações e interações que os mais pequenos estabelecem entre si e com os adultos, as experiências proporcionam novas aprendizagens, tudo isso contribui para o desenvolvimento.
(...) A criança cresce, aprende, desenvolve-se através de interações que estabelece com as pessoas que a amam, que cuidam dela, que lhe dão segurança, que estão atentas às suas características e que a desafiam. “De facto, o processo de educação da criança ocorre num continuum entre os contextos de educação não formal e os contextos de educação formal, entre os quais se destaca e família e os contextos de educação de infância”, refere Cristina Parente. 
(...) “Brincar é muito importante em todas as fases da vida, mas nesta fase é fundamental. Para a criança é como respirar”, garante. A socialização também tem uma palavra a dizer. “É com o grupo de pares, com outras crianças, que criam e recriam as culturas da infância”. “É fundamental conversar com os filhos e garantir uma instituição de pré-escolar que valorize o brincar e o diálogo”.
Os pais devem (...) saber respeitar os tempos e os ritmos das crianças e compreender que brincar garante equilíbrio e bem-estar. Há um erro que convém evitar: há pais e encarregados de educação que procuram no pré-escolar conteúdos do primeiro ano do 1.º ciclo. “A escola é muito importante e é por isso mesmo que antes de entrar para o 1.º ciclo do Ensino Básico, mas também durante, o mais importante é criar condições para que as crianças brinquem”
(...)Brincar é, afinal de contas, um direito. “O brincar e as brincadeiras, enquanto manifestações coletivas, ajudam a criança a desenvolver relações sociais com o seu grupo de pares e com os adultos.
Retirado daqui http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=37163&langid=1

domingo, 10 de maio de 2015

As crianças precisam de regras...

Das coisas mais fundamentais que as crianças precisam é de regras... Sem elas, não conseguem aprender a viver harmoniosamente em sociedade. Quanto a cumprir regras, elas testam incessantemente pais e profissionais de educação, pelo que cabe a estes não cederem,mantendo a sua palavra até ao fim. Para além disso,é necessário mostrar às crianças que não podem ter tudo na vida, pelo que os adultos não deverão ceder a todos os seus caprichos _ a isto chama-se Educar!
Aqui fica um excerto de um artigo que fala sobre isso mesmo:
« A transgressão da regra pela criança seguida pela insistência dos pais é difícil mesmo. Depois de passar por um dia exaustivo, ter que repetir a mesma coisa para a criança pela oitava vez não é nada fácil! E ainda por cima dá aquela insegurança normal que assola pais e mães: ‘será que estou educando certo?’. Infelizmente a resposta não é das mais animadoras. Com anos de experiência com o tema – dez na direção do colégio –, Marcelo é assertivo: não existe uma fórmula certa. “Eu posso até falar aos pais o que eles não devem fazer, mas afirmar o que fazer na hora da educação dos filhos seria bastante injusto. Cada caso é um caso, não podemos generalizar”. Para o educador o caminho a seguir é da coerência.
Ele explica que a visão do mundo pela criança é absolutamente diferente da nossa a começar pelo fato de que elas querem tudo para já. “Quando eles batem o pé repetidamente pedindo algo eles estão sendo crianças em sua essência, então os pais devem intervir e mostrar que eles não podem ter tudo”.
A tarefa não é fácil e para ajudar os pais a driblar essa necessidade da criança e mostrar para elas quais são as regras Marcelo dá a dica dos 5 pontos que devem ser ensinados:
  • Planejar
  • Antecipar
  • Compartilhar suas emoções e sentimentos
  • Fazer uma rotina
  • Questionar
“Educar é uma tarefa muito solitária, porque não tem uma fórmula nem algo que funcione da mesma forma com várias pessoas, mas é importante. Se os pais não se ocuparem dessa tarefa, mais tarde a sociedade o fará e isso será bem mais custoso”.»
Artigo retirado de:   http://www.paisefilhos.com.br

sábado, 9 de maio de 2015

As crianças precisam de aprender a falhar...

Deixo este artigo bastante interessante, do psicanalista Jean-Pierre Lebrun. Poderá ser um pouco extenso mas é interessante, e sublinhei as frases de maior destaque.
Este psicanalista fala-nos de como o papel dos pais tem-se vindo a alterar, nos últimos anos, uma vez que hoje em dia estes não conseguem "pôr rédeas" aos filhos, não conseguindo manter-se firmes para com estes. Do meu ponto de vista, "apaparica-se" demasiado as crianças, em determinadas situações, pelo que estas não estão preparadas para enfrentar o mundo. E muito menos preparação têm para superar a frustração de falhar/perder. O mundo não é só feito de vitórias, existem muitos momentos que se perde, pelo que temos de assumir e conviver com a falha. Ora se as criancinhas vivem no mundo encantado, construído por elas, e com a aprovação dos pais, à primeira falha, poderão cometer asneiras, tornando-se jovens revoltados com tudo e todos.
À que deixar as crianças falhar, para que percebam que o mundo não é "cor de rosa" e também para que aprendam a lutar, percebendo que nada "cai do céu", tendo que se esforçar para atingir determinados objetivos!
Aqui fica o artigo:
«“… O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.” – Jean-Pierre Lebrun
Nos últimos 30 anos, a ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos. Mas, para tanto, é preciso aprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Lebrun concedeu à revista Veja quando no Brasil para o 3º Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito.
Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Jean-Pierre Lebrun:
 Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje, a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E, na rede, não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.
Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean-Pierre Lebrun: 
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.
Falando concretamente, como é possível perceber essa diferença no comportamento das famílias hoje?
Jean-Pierre Lebrun: 
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal.
Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Jean-Pierre Lebrun: 
Hoje os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.
Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Jean-Pierre Lebrun: 
Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles. Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.
Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
Jean-Pierre Lebrun: 
É uma anomalia no processo de humanização. Não nascemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta. Somos os únicos capazes de falar. Não se trata apenas de aprender ortografia ou usar as palavras corretamente. Quando dominamos a faculdade da linguagem, adquirimos uma série de características muito especiais, como, por exemplo, a consciência de que somos mortais. Aprendemos a construir as pontes que levam a um entendimento superior do mundo e de nossa condição. Isso é o que nos diferencia e nos torna completamente humanos. Um desequilíbrio nesse processo pode ter consequências. É aí que entra a explicação psicanalítica para o ingresso no universo das drogas. Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância. Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.
Com que consequências?
Jean-Pierre Lebrun: Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação. As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática.
Por que as drogas têm apelo especial para os jovens?
Jean-Pierre Lebrun: 
Eles são mais sensíveis a esse fenômeno porque têm uma tendência espontânea a, quando se tornam adultos, ser novamente confrontados com as dificuldades da existência. É, de certa forma, a repetição daquilo que haviam vivenciado na infância, quando foram, ou deveriam ter sido, apresentados à ideia de perda da satisfação completa, de que não ficariam com a chupeta na boca a vida inteira, por exemplo. Se, no ambiente em que esses jovens vivem, há uma abundância de produtos que funcionam como um meio de evitar essas dificuldades, eles mergulham de cabeça. Como também veem nisso certo caráter transgressivo, todas as condições estão dadas para que eles recorram às drogas.
Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isso pode ter?
Jean-Pierre Lebrun: Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Essa capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso, não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescer. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.
O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
Jean-Pierre Lebrun: O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre. Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns vinte, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.»

domingo, 3 de maio de 2015

Feliz Dia da Mãe!

Espero que todas as mães tenham passado um dia bastante feliz e, se possível, na companhia dos seus rebentos :)



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Há mimo a mais? Ou o mimo é saudável?

Segundo o pediatra Mário Cordeiro, o mimo não faz mal e nunca é a mais, pois tal como ele refere, nós mesmos gostamos de receber miminhos, mesmo sem ser em ocasiões especiais! Agora o que é mau, é os pais tentarem comprar os filhos com coisas, para colmatarem o pouco tempo que despendem com estes, ou mesmo a pouca atenção que lhes dão. Isso sim é que é péssimo! Tira-me do sério ver os pais a comprarem os seus filhos com tudo... "Ai e tal porta-te bem senão não te compro o brinquedo que queres...", em vez de tentarem perceber porque é que a criança está a portar-se mal, tentando chamar a atenção dos pais.
Tal como este pediatra refere “O problema é estragar as crianças com excesso de coisas, tentando comprar os seus afetos. Mas isso não é mimo; é má educação!”
Aqui fica o video sobre este assunto!





domingo, 5 de abril de 2015

A alimentação (não) saudável das nossas crianças...

Vi há dias esta reportagem na SIC http://player.sicnoticias.pt/video/sicnot/2015-04-01-Grande-Reportagem-Interactiva-Somos-o-que-comemos-  a qual gostei muito e de nada me surpreendeu! Esta reportagem fez-me recordar os exemplos que já constatei, ao longo dos anos de prática, em vários contextos. Em  todos esses contextos, tenho-me apercebido da alimentação nada saudável que as crianças em idade pré-escolar têm.
No contexto de estágio, tomei logo contato com esta realidade.  No J.I. onde estagiei as crianças traziam lanche de casa e muitas daquelas lancheiras vinham carregadas com grandes bombas calóricas, principalmente à base de chocolates.
Durante alguns anos, trabalhei numa Instituição em que as crianças não tinham de levar lanche (felizmente para a saúde delas) mas contudo, eu percebia que a alimentação delas em casa não era a melhor; principalmente quando à hora do almoço recusavam-se a comer legumes e vegetais, tanto na sopa como em saladas. Tinha mesmo casos em que as crianças nem aceitavam ter a presença de vegetais no prato, pois automaticamente não comiam mais nada por estes estarem lá!
Depois havia os espertinhos, que muito sorrateiramente, colocavam os seus vegetais no prato do "vizinho" do lado.
Mas, o que ainda conseguia deixar-me perplexa eram aquelas criancinhas que entravam, logo pela manhã, a mascar pastilhas. Obviamente que assim que eu dava para isso, fazia-lhes o ultimato para irem deitar as pastilhas imediatamente para o balde do lixo.
Ah, e ainda tinha aqueles pais "muita fixes" que vinham buscar os filhos com um saquinho de gomas na mão, ou um chupa, ou um pacotinho de batatas fritas!
Mais tarde, já em contexto de ATL (com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos), voltei a "tomar contato com as lancheiras" carregadas com bombas calóricas, com o lanche da manhã e da tarde. Tinha crianças que não levavam uma única sandes para comer, o que fazia-me uma certa confusao. Tinha uma que só levava sandes com Tulicreme para comer, tanto de manhã como de tarde.
Depois, era vê-los a beber sumos carregados de açúcar e corantes, mais os famosos Bollycaos e batatas fritas. Era uma autêntica "desgraça alimentar"!
Poucos, muito poucos, eram os que mantinham lanches saudáveis, com iogurtes, sandes de fiambre ou queijo e frutinha!
Em contexto de Creche, os pais não "entopem" os filhos com doces e sumos, mas tenho tido casos de crianças que adoram comer. Quando vêm comida, os olhinhos até brilham e choram se não são as primeiras a serem servidas; e vejo pais que não lhes "colocam um travão", pelo que as crianças ficam no limite do percentil de peso. E os pais ainda me dizem que as crianças são pequenas, logo não vão deixar de lhes dar comida! Ora obviamente que a questão não é essa, mas sim não deixar a criança repetir o segundo prato ou a fruta (pois fruta é saudável mas contém açúcares, que em demasia, como todos sabem, também é prejudicial para a saúde).
No  refeitório, eu tento que as crianças comam um pouco de tudo, mas aquelas que adoram comer (e que estão um pouco mais fortes) tento não encher-lhes os pratos, nem deixá-las repetir.
Obesidade infantil existe, e cada vez mais associada a ela muitos mais problemas de saúde vão aparecendo (diabetes, problemas cardiovasculares e não esquecendo a baixa auto-estima, fazendo com que as crianças isolem-se e não socializem, sendo alvo de chacota e bullying, por parte dos colegas, etc)
Pela prática que tenho tido, acho que há pouca consciencialização da parte dos pais, relativamente a esta temática, pelo que infelizmente quem irá sofrer mais tarde, serão as crianças!